AzDrawing 1.5 e AzPainter 1.0.7

Bem vindos ao AZ no Sekai – Mundo AZ. Este blog é dedicado aos aplicativos gráficos AzDrawing e AzPainter, desenvolvidos pela programadora japonesa Azel, mas também abordaremos sobre desenho e pintura digital, produção de quadrinhos e mangás, no Brasil e no mundo, outros aplicativos desenvolvidos por Azel, cultura japonesa e afins, Software Livre, etc. Enfim, tudo o que gira ao redor do Mundo AZ.
Hoje falaremos sobre nosso carro-chefe: AzDrawing e AzPainter. Essa dobradinha começa a ganhar, entre os ilustradores que utilizam Software Livre, a alcunha de “Paint Tool SAI do Linux”. Já eu vou mais além e chamo de “Manga Studio do Software Livre” (um desconto para o exagero, claro… 😉 ). Como dissemos no parágrafo anterior, estes programas são desenvolvidos por Azel, inicialmente na plataforma MS Windows, onde chegou até a versão 2, e recentemente migrou completamente para a plataforma Linux – mas sendo possível instalar em outros sistemas operacionais Unix-like, como FreeBSD, MacOS, Haiku, etc., através de alguns procedimentos extras. Futuramente, abordaremos sobre esse assunto.
O AzDrawing é uma ferramenta de desenho em 8 bits, o que significa que ele possui limitações na parte do gerenciamento de cor: não é possível utilizar mais de uma cor por camada de desenho. Mas por que? É simples: no Japão, os mangakas (desenhistas de quadrinhos japoneses) trabalham prioritariamente com desenhos em monocromia (em alguns casos, bicromia), sendo poucas as páginas de revistas semanais como a Shonen Jump que são totalmente coloridas – geralmente a capa e as primeiras 10 páginas. Assim, para o mangaka que trabalha mais com as páginas internas ou cujo trabalho em geral não demanda cores, é mais vantajoso ter uma ferramenta que dê a ele tudo de que precisa, na medida certa, sem ocupar muito espaço em memória e com o máximo de eficiência.
Mesmo no quadrinho ocidental, onde o uso de cores variadas é mandatório, a separação das ferramentas também faz sentido: geralmente, nos estúdios de médio e grande porte, as etapas de criação de quadrinhos são feitas por pessoas diferentes, como numa linha de produção. Assim, temos as figuras do desenhista, do arte-finalista, do colorista e do letrista, apenas para ficar com os mais conhecidos. Cada etapa demanda ferramentas diferentes: geralmente o desenhista usa quase que exclusivamente o lápis – seja o grafite preto ou o azul – o arte-finalista usa canetas nanquim, o colorista faz uso de tintas de diversas cores e o letrista, a depender da técnica que use, também faz uso do nanquim. Assim, teríamos que os dois primeiros profissionais e o letrista precisariam apenas do uso do AzDrawing, enquanto o colorista teria tudo o que precisa no AzPainter.
Algumas características chamam a atenção quando utilizamos o AzDrawing: sua interface minimalista que, longe de ser um problema, é muito bem vinda por sua objetividade e limpeza, evitando distrações; as principais ferramentas ficam à disposição do artista através de janelas flutuantes – na verdade, não é uma novidade, pois quase todos os aplicativos gráficos trabalham dessa forma; a janela de visualização de imagem, uma mão na roda para quem precisa de uma imagem de referência para fazer um desenho; janela de pré-visualização, que permite ver como a imagem como um todo está ficando enquanto trabalha com apenas uma camada visível. Mas certamente uma das ferramentas mais comemoradas pelos usuários – especialmente os iniciantes, como eu 😉 – é a configuração da suavização dos traços. Com muita simplicidade, a suavização é ajustada ao gosto do usuário, podendo escolher entre Forte, Médio e Fraco, havendo gradações de 1 a 15 em cada um deles, oferecendo resultados convincentes. Em relação ao Gimp e ao Krita, o ajuste é extremamente intuitivo. Como boa parte das ferramentas gráficas, o AzDrawing também conta com pincéis que podem ser personalizados ao gosto do usuário – a criação de pincéis é extremamente simples, bastando gerar uma imagem em .jpg ou .png com o tipo de pincelada que deseja.
Diferentemente do AzDrawing, o AzPainter é uma ferramenta de pintura digital mais robusta, que trabalha com dados de 16 bits, com escala de cor RGBA – Red (vermelho), Green (verde), Blue (azul) e Alpha (alfa, que define a tonalidade das cores e o sombreado). Apesar de ser pequeno em tamanho (uma instalação típica, sem os pacotes de texturas e pincéis, ocupa cerca de 1,1 Mb), seus recursos de pintura permitem alcançar resultados profissionais que atendem bem um mercado editorial exigente como o japonês. Destaque para as paletas de cores e configurações padrão dos pincéis que oferecem os recursos de pintura suave tão característicos do manga japonês. Naturalmente, todas as ferramentas disponíveis podem ser personalizadas pelo usuário de maneira a que reflita seu estilo. Ambos os programas permitem importação de/exportação para os formatos mais comuns de arquivos de imagem: BMP, PNG, JPG, GIF e até mesmo o formato proprietário do Adobe Photoshop (PSD). Por padrão, os aplicativos salvam em seus próprios formatos: AzPainter (APD) e AzDrawing (ADW). O AzPainter também importa arquivos ADW.
No Youtube é possível encontrar vários vídeos de speedpaintings utilizando principalmente o AzPainter2, última versão desenvolvida para Windows. Azel não publicou os motivos de ter abandonado a plataforma da Microsoft – e uma legião de fãs hoje órfãos, embora os aplicativos ainda possam ser baixados e instalados sem maiores problemas – mas eu ouso aqui dar meu palpite. Um aspecto é relacionado à infraestrutura de desenvolvimento: a Microsoft, desde o início deste século, vem direcionando os desenvolvedores a adotar massivamente a linguagem C#, uma versão modificada e ampliada do C++ e a base do framework .Net, razão de ser das versões mais recentes do Windows. Azel, que parece ser uma desenvolvedora “old school”, resistiu a essa imposição e, vendo-se obrigada a migrar a ferramenta que utilizava (Visual C++) e, consequentemente, todo o código que desenvolveu até então, preferiu mudar de plataforma, pois no GNU/Linux ela poderia reaproveitar o código dos aplicativos em C++ com poucas alterações – na verdade, ela acabou reescrevendo boa parte do código que fez para Windows, devido à necessidade de adaptar os recursos dos aplicativos ao servidor de vídeo (XServer) e a toda a infraestrutura de sistema do Linux. Tanto é verdade que ela reiniciou a contagem das versões no Linux, tendo em vista que alguns recursos existentes nas versões para o “Janelas” ainda não foram implementadas naquelas para Linux. O outro aspecto é o mercadológico: na plataforma Windows os aplicativos AZ concorrem diretamente com os já citados Paint Tool SAI e Manga Studio (hoje rebatizado como Clip Studio Paint) que, embora pagos, são os preferidos de 10 entre 10 mangakas – e com os warez à solta, alimentam a pirataria de software. No mundo Linux, acabam concorrendo, indiretamente, com os também citados Gimp e Krita – e acrescento aqui o excelente MyPaint – embora nesse caso a “filosofia” de cada aplicativo é bem definida: Gimp na edição de imagens, Krita e MyPaint na pintura digital mais “ocidental”. Como a tentativa de criar um “OpenSAI” não foi pra frente, os aplicativos AZ passam a ser a escolha natural e sem concorrência. Agora Azel corre contra o tempo para trazer toda a experiência das versões 2 para a plataforma Linux e para reconquistar parte do fã-clube, além de formar uma nova geração de usuários.
O AzDrawing e o AzPainter estão disponíveis, hoje e oficialmente, nos idiomas japonês, inglês e chinês. Nas versões para Windows, também existe suporte para o idioma espanhol, com tradução do artista Alex Dukal. Recentemente, fiz a tradução em português do Brasil dos aplicativos para Linux, que Azel deve acrescentar ao pacote oficial já na próxima versão. Mas, para quem não quer esperar para ver seus menus no idioma natal, pode me mandar um e-mail solicitando os arquivos. Terei imenso prazer em atendê-los.

Eis um exemplo de uso do AzPainter no Ubuntu 15.10 (créditos ao Blue Ten):

 E aqui, uma demonstração do AzDrawing feita pelo João Mausson:

Por fim, um ótimo exemplo de ilustração feita no AzPainter2 for Windows (by Palmie):

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