Pincéis no AzDrawing e AzPainter2/B: criando presets

Numa temporada de poucas novidades, onde Azel está concentrada em seus estudos sobre o Wayland e mlib, resolvi ir atrás de uma forma de agregar novos pincéis aos aplicativos gráficos AZ. Em artigo anterior, falei sobre os famosos pincéis AD, de Alex Dukal, e sempre tive a curiosidade de saber como ele conseguiu tamanha façanha. De fato, à primeira vista parece algo extremamente complicado mas, ao buscar as fontes de informação adequadas, percebe-se que se trata de uma tarefa relativamente simples, ainda que um tanto trabalhosa.
A fim de entender como a coisa toda funciona, primeiro dei uma olhada nos arquivos envolvidos: dentro dos diretórios ocultos .azdrawing e .azpainter, localizados na pasta pessoal do usuário (~/”nome_do-usuário”), encontramos as pastas brush e texture, além do arquivo brush.dat (brush-2.dat no AzPainter2). Claro, existem outros arquivos de configuração nesses diretórios, mas para os pincéis esses são os principais.

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Pastas .azdrawing e .azpainter na pasta pessoal, distribuição Deepin
pincel2
Exemplo da pasta .azdrawing
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Exemplo da pasta .azpainter (AzPainter 2.1.1)

Nas pastas brush e texture, como os próprios nomes dizem, ficam as imagens das manchas dos pincéis (brush) e das texturas (textures) que as influenciam. Como exemplo, mostramos a seguir o conteúdo da pasta brush do AzDrawing 1.5, com os pincéis AD já instalados por mim, conforme as orientações de Alex Dukal no artigo já citado. Vejamos como é constituído o pincel AD Aguada #1, do conjunto AD Brushes Mix v. 1. Conforme verificamos no AzDrawing, a mancha (imagem) do pincel é ad_oil3.jpg.

pincel4
Conteúdo da pasta brush do AzDrawing 1.5, com manchas dos pincéis AD.
pincel5
Pincel AD Aguada #1, no AzDrawing

Já a imagem de textura utilizada é a ad_paint2.jpg, que se encontra na pasta texture.

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Na imagem anexa da tela do AzDrawing, podemos ver o resultado do uso do pincel conforme suas configurações, onde temos a mescla da imagem da mancha com a respectiva textura. Podemos identificar também que este pincel efetua pintura do tipo Mistura, ou seja, quando aplicamos uma pincelada por cima de outra, as duas se misturam, tornando a interseção entre elas mais escura. Se forem utilizadas cores, elas se mesclarão, formando uma nova cor por adição.
As informações de configuração de pincel que vemos na caixa de ferramentas Brush, na interface gráfica dos aplicativos AZ, são armazenadas no arquivo brush.dat. Na verdade, lá se encontram todas as informações salvas de todos os pincéis instalados no aplicativo em questão. Trata-se de um arquivo em código de baixo nível, ou seja, as informações estão codificadas em linguagem de máquina, sendo muito difícil seu entendimento pelo usuário comum. Na criação de um conjunto de pincéis o qual se deseja distribuir por inteiro, com todas as configurações predeterminadas, faz-se necessário incluir o arquivo brush.dat junto com as imagens e texturas que serão utilizadas no conjunto. Dessa maneira, esse arquivo deve substituir o brush.dat que esteja pré-instalado no aplicativo (o qual, recomenda-se, deve ser salvo como um arquivo de backup, para o caso de algo dar errado), permitindo assim a correta instalação dos pincéis baixados. Se por um lado trata-se de uma maneira mais fácil de instalar um conjunto de pincéis, por outro faz com que se perca pincéis personalizados pelo próprio usuário.
Uma vez conhecidos os pontos mais importantes, surgiu a dúvida: os pincéis AD foram distribuídos não com um brush.dat pronto, mas com arquivos .txt com o código de cada pincel individual. Como o Alex extraiu essa informação? Além disso, o Anderson Prado, aka AndeOn, havia feito uma ligeira modificação no conjunto de pincéis do Dukal a fim de melhor instalá-los no Linux, já que aqueles conjuntos eram para o AzDrawing for Windows. Afinal, qual era o segredo disso tudo? Assim, resolvi fazer minhas diligências. 😉
Após consultar o Anderson sobre as modificações que havia feito e ao próprio Alex Dukal sobre como gerar os códigos, encontrei num post de um antigo blog do Alex a resposta para todas as perguntas que deram origem a este artigo. No subtítulo Como compartir pinceles individuales con AzDrawing 2,  Alex aborda justamente o inconveniente da distribuição do brush.dat:

“Como compartir pinceles individuales con AzDrawing 2

Cuando decidí compartir mi set de pinceles me encontré con un pequeño inconveniente: toda la información con la configuración de todos los pinceles se guarda en el archivo brush.dat, a eso había que sumarle las carpetas brush y texture con todas las imágenes, por eso compartí la carpeta entera con el programa, para no crear confusiones.”

A seguir ele dá ciência de que é possível compartilhar os pincéis individualmente através de um “pulo do gato”: as opções “Copiar para a Área de Transferência(Formato Texto)”, no AzDrawing, e “Copiar(C)”, no AzPainter2. Estas opções são acessíveis ao clicar com o botão direito do mouse sobre o pincel que se deseja copiar. Através dessa ação, o código com a configuração do pincel escolhido é copiado temporariamente para a Área de Transferência, em código mais legível do que o do brush.dat, podendo ser salvo posteriormente em um arquivo .txt através de um editor de textos do tipo Bloco de Notas (como o Gedit ou outro do universo Linux). Veja um exemplo de código, justamente do pincel AD Aguada #1, que utilizamos anteriormente:

AZDW2BR;004100440020004100670075006100640061002000230031;ad_oil3.jpg;ad_paint2.jpg;03e8;03e8;03e8;03e8;000a;011c;0000;03e8;0000;0064;0156;01;ff;00;00;00;01;00;

A seguir, um exemplo de código utilizado pelo AzPainter2, do pincel pré-instalado Water:

azpainter-v2-brush;name=water;type=2;radius=78.3;radius_min=0.3;radius_max=400.0;opacity=60;pix=0;sm_type=1;sm_str=1;min_size=0.0;min_opacity=100.0;interval=0.20;rand_size=100.0;rand_pos=0.00;angle=0;angle_rand=0;rough=0;hard=100;flags=4;water1=50.0;water2=90.0;water3=40.0;press_type=0;press_value=100;shape=;texture=%3F;

Podemos observar através destes exemplos que os códigos possuem marcação diferente em cada programa, o que significa que não podemos instalar no AzPainter2 um pincel criado no AzDrawing e vice-versa. Em outras palavras, se queremos criar conjuntos de pincéis que funcionem em ambos, teremos, na verdade, que gerar duas versões de cada conjunto: um para AzDrawing e outro para AzPainter2. Em outro artigo, falarei sobre o AzPainterB que, ao que parece, possui o mesmo motor de pincéis que o AzPainter2.
Resumindo, a forma de compartilhar pincéis em quaisquer dos aplicativos gráficos AZ segue basicamente os seguintes passos:
1) Criar o pincel no aplicativo a que se destina;
2) Clicar com o botão direito sobre o pincel e escolher a opção de Copiar para a Área de Transferência;
3) Salvar o conteúdo da área de transferência em um arquivo texto puro (.txt);
4) Juntar a este arquivo os arquivos de imagem (mancha) do pincel e da textura, se form o caso.
No próximo artigo, faremos um passo a passo de como criar um pincel e como compartilhá-lo individualmente.

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AzComicv 1.0.1

No último dia 09, Azel lançou a versão menor 1.0.1 do leitor de comics Azcomicv. Como novidade principal, a possibilidade de classificar os arquivos por data e hora de atualização, o que é importante para quem segue séries. Correção no carregamento de JPEG, ajustes de layout e algumas correções do Mlib também foram acrescentadas. Ela não postou nenhuma notícia no blog oficial, portanto não há mais novidades sobre os demais aplicativos até o momento.

AzPainter 2.1.0

Azel liberou no último dia 26/08 uma nova versão do AzPainter, que pulou de 2.0.6 para 2.1.0. Segundo a desenvolvedora, diversas melhorias ainda deverão ser implementadas de maneira parcelada, portanto haverão atualizações menores com certa frequência até o fim do ano.
Outro ponto abordado por Azel na mensagem de lançamento é a implementação do suporte a Wayland, uma vez que esse será o servidor gráfico padrão do Ubuntu 18.04, a ser lançado no ano que vem. Para quem não sabe, Wayland é a iniciativa da Red Hat de um protocolo moderno para substituir o já cansado servidor X11. Foi criado em 2008 por Kristian Høgsberg e é totalmente compatível com aplicativos que hoje rodam por cima do X11, graças ao cliente XWayland.
Até abril deste ano, a Canonical, desenvolvedora do Ubuntu, utilizava o gerenciador de ambiente Unity, rodando sobre o Mir, versão criada a partir de e principal concorrente do Wayland. Entretanto, com o anúncio do abandono do Unity, cogitou-se o abandono também do Mir, o que foi negado por Mark Shuttleworth, que afirmou que o servidor será adotado nos projetos da Canonical para a chamada “Internet das Coisas”.
O tarball da nova versão do AzPainter pode ser baixado aqui. Ainda não há atualização do appimage pelo Probono nem pacote .deb pelo Alexander Podznyakov.

Atualização (12/09/17): Já está disponível o pacote .deb no site Notesalexp.org, de Alexander Podznyakov.

AzComicV 1.0.0 beta

No último dia 13 Azel liberou para testes a versão 1.0.0 beta do seu recém-criado visualizador de quadrinhos (comics viewer) AzComicV. Já fizemos uma breve explanação sobre ele nesse artigo.
O aplicativo pode ser baixado aqui. O visualizador suporta arquivos em BMP, JPEG, PNG e GIF. Ele também acessa arquivos compactados em formato ZIP. Segundo Azel, ficará para um outro momento o suporte para arquivos compactados em RAR. Também faltam a rotação de tela e o modo de apresentação de slides, mas estes devem ser incluídos na versão final.
Esperamos iniciar a tradução do AzComicV para o português do Brasil em breve.
Abaixo, uma visão da interface com menu aberto, em japonês.

azcomicv2

Um pouco de história

A presença dos aplicativos AZ na América Latina se deve, principalmente, ao interesse de dois importantes ilustradores argentinos: Sebastián Cabrol e Alex Dukal. Conforme artigo anterior, Dukal foi o criador do blog Mundo AzDrawing e de alguns conjuntos de pincéis. Mas foi através de Cabrol que ele teve o primeiro contato com o Azdrawing. A partir de então, Dukal tornou-se uma espécie de embaixador do AzDrawing “nestes mares do sul” – parafraseando Lulu Santos – graças a quem o AzDrawing chegou ao conhecimento de usuários no Uruguai e no Peru, além de Mozart Couto, a quem citamos sempre desde o lançamento do AzNoSekai.
Num artigo anterior sobre artistas usuários de aplicativos AZ, citamos outros ilustradores argentinos, mas os pioneiros, até onde pudemos verificar na Net, são Cabrol e Dukal.
Corrigindo o que escrevi no artigo anterior, Alex Dukal não deixou de utilizar o AzDrawing. Na verdade, ele tem uma instalação da versão em espanhol do AzDrawing 2 rodando redondo em uma máquina com MS Windows 10! Portanto, para aqueles que não desejam abandonar a plataforma Windows, é possível, sim, usufruir de todo o potencial deste incrível programa para rascunho e arte-finalização.
A propósito, percebemos, por parte de “nuestros hermanos de Latino America”, uma preferência pelo AzDrawing, mesmo em trabalhos coloridos, como é possível ver neste artigo de Alex Dukal. Já no Japão e aqui no Brasil, o “xodó” tem sido mesmo o AzPainter: basta observar os sites de tutoriais e dicas em japonês que se estão em nossa lista de links, bem como no seminal review de Mozart Couto, feito em 2014. Foi a partir dele que, em fevereiro do mesmo ano, resolvi começar a tradução do AzDrawing e AzPainter* para o português do Brasil. Assim, hoje temos, ainda que passível de correções e melhorias, os aplicativos AZ falando a nossa língua.
Nosso sincero desejo é de que esse suporte ao trabalho abnegado de Azel continue em todos os países lusófonos e hispânicos, nas Américas e na Europa. Também desejamos que mais e mais usuários deste lado do planeta conheçam estes programas e possam utilizá-los para fazerem trabalhos belíssimos como os que temos visto e repostado neste espaço. Fazer esta singela homenagem aos que primeiro experienciaram e divulgaram os programas de Azel, prestigiando e chancelando a qualidade excepcional dos mesmos com seus nomes e credibilidade no mundo da ilustração e dos quadrinhos, é o mínimo que podemos fazer como demonstração dos nossos sinceros agradecimentos.

¡Saludos desde Brasil!

Os pincéis AD estão de volta!

Hoje, por um acaso, revisitei o blog Mundo AzDrawing, do artista argentino Alex Dukal, o qual foi – e ainda é para mim – uma referência sobre aplicativos AZ em idioma latino. Foi, inclusive, uma inspiração para tornar-me tradutor dos aplicativos AZ para o português do Brasil e para lançar os blogs AZnoSekai e AZ World: observem que ambos os nomes fazem referência ao “mundo”, da mesma forma que o blog do Alex (sekai = mundo em japonês).
Observei, nessa revisitação, que havia comentários recentes no blog, já deste ano de 2017, após cerca de 3 anos de aparente inatividade. Sabendo que Alex Dukal poderia me responder, aproveitei o ensejo e pedi-lhe que disponibilizasse novamente os pincéis que criou para o AzDrawing para Windows, os quais podem ser igualmente utilizados tanto no AzDrawing como no AzPainter2 para Linux. Para minha surpresa, a resposta foi quase imediata: em questão de minutos, Dukal não só respondeu como reativou os links para seus pincéis e lápis AD, conforme os comentários abaixo:

alex_dukal

Abaixo seguem amostras dos pincéis e lápis, feitas pelo próprio Alex Dukal, juntamente com os links para download.

azdrawing_ad-pencils

AD_Pencils

ad_impressionist_brush

AD_Impressionist_Brush

azdrawing_ad-brush-mix-vol1

AD_Brushes_Mix_vol_1

Copio aqui, conforme o texto original de Dukal, as instruções de instalação dos pincéis (em espanhol):

COMO AGREGAR CADA PINCEL A AZDRAWING 2:

  1. Copiar el contenido de las carpetas “Brush” y “Texture” a las correspondientes carpetas del programa.
  2. Abrir cada archivo de texto con un editor de texto plano Por ejemplo: Bloc de Notas
  3. Seleccionar todo el código y copiarlo al portapapeles (Ctrl+C)
  4. Abrir AzDrawing 2 y hacer Click derecho sobre el listado de pinceles. Del menú contextual que se abrirá, elegir la opción “Agregar desde Portapapeles”

Si todo salió bien, el nuevo pincel se habrá agregado al final del listado de pinceles.

Repetir el procedimiento por cada pincel que deseemos agregar.

Cabe ressaltar que este procedimento foi escrito para o AzDrawing para Windows. Eu ainda não testei no Linux, mas sei que funciona (parafraseando o apresentador Sílvio Santos) pois o João Mausson os tinha instalado no AzDrawing sobre o Ubuntu. 😀
Recomendo fortemente a visita ao blog Mundo AzDrawing e prestigiar a arte deste grande contribuidor para a popularização dos aplicativos AZ nos países hispano hablantes. Vida longa a Alex Dukal! \o/

Novo aplicativo a caminho: AzComicv

Conforme relatado no artigo anterior, Azel vem desenvolvendo um novo aplicativo, desta vez um visualizador de mangá/quadrinhos (comic viewer). Ontem (02/07) ela postou em seu blog que já está perto de finalizá-lo e apresentou uma screenshot, onde é possível ver o nome escolhido: AzComicv.  Como é padrão nos seus produtos, Azel optou por uma interface minimalista, com toda a parte de navegação e visualização disponíveis logo na tela principal.

azcomicv1
Janela principal do AzComicv

Com a chegada do verão japonês, Azel pretende liberar a versão definitiva o quanto antes, para que ela possa entrar em seu costumeiro período de férias. Este foi um dos motivos pelos quais Azel não quis se debruçar sobre o AzDrawing: um período de tempo muito curto para realizar alterações significativas no software, antes das férias de verão. Um projeto menor, como o do AzComicv, caberia melhor nesse intervalo.
Semelhantemente ao que aconteceu com o AzPainterB, Azel abriu inscrições para quem desejar sugerir o ícone do novo aplicativo. Os ícones devem ser feitos em formato SVG e enviados por e-mail para azelpg@gmail.com. Quem quiser participar precisa correr, pois o lançamento do aplicativo deve ocorrer ainda neste mês de julho!