Novidades(?) e empacotamento

Desde 11 de março, quando fez um release menor do AzPainter e do AzPainterB, Azel não postou mais nenhuma novidade sobre o desenvolvimento dos aplicativos AZ. Normalmente ela passa em média um mês entre um post e outro, relatando os avanços no desenvolvimento e na correção dos códigos, embora não seja raro que o hiato seja ainda maior, especialmente nas férias de verão japonês, quando ela fica afastada do desenvolvimento por quatro meses seguidos – se você acha que o verão no Brasil é quente, no Japão pode ser pior, dependendo da região e dos efeitos climáticos. E ela mora em Osaka, mais a oeste do que Tóquio e, se considerar as ilhas menores do arquipélago de Okinawa, fica no centro do arquipélago japonês. Ou seja, é bem quente mesmo.
Posteriormente, ela anunciou, após o lançamento da versão 2.0.6 do AzPainter, que iria se dedicar a algum outro projeto novo, deixando o desenvolvimento do AzDrawing para um outro momento. No último post, datado de 11/06 pp, ela informou estar desenvolvendo um visualizador de mangá/quadrinhos (comics reader).
Todo esse movimento indica, num primeiro momento, de que os aplicativos AZ estão no nível de maturidade que Azel pretendia e, como já estava acontecendo de uns tempos pra cá, ela apenas fará algumas correções pontuais a medida que as demandas forem aparecendo.
Enquanto isso, outro assunto chamou a minha atenção esta semana: o empacotamento dos aplicativos AZ. Já de algum tempo, eu e o Mozart Couto vinhamos conversando sobre distribuições GNU/Linux ótimas para desenhistas e ilustradores, bem como sobre o fato de Azel disponibilizar apenas os fontes dos aplicativos que desenvolve, dificultando o acesso a usuários iniciantes que não possuem familiaridade com a linha de comando. Nesse ínterim, encontramos o remaster do Ubuntu chamado Iro OS, desenvolvido pelo designer português Pedro Pitéu e focado justamente no público formado por artistas gráficos. Seus trunfos são a leveza, o ambiente minimalista mas de muito bom gosto, e por disponibilizar, já na instalação, importantes aplicativos gráficos do mundo do SL, como Blender, Make Human e – surpresa! – AzPainter.
Desafortunadamente, o Iro OS parou na versão 1.0 alpha 2, baseado no descontinuado Ubuntu 15.10, e embora estivesse anunciando a versão beta baseada no Ubuntu 16.04 LTS (uma ótima pedida, pois permitiria o trabalho em cima do Iro apenas de 5 em 5 anos, ao invés de 6 em 6 meses), Pedro não deu mais notícias a respeito, sendo a última mensagem do blog datada de 20/10/16.
De fato, é um consenso no mundo GNU/Linux de que manter uma distro, ainda que seja um remaster costumizado, é um trabalho que consome a vida do mantenedor. E o Pedro, que é Concept Designer de uma grande multinacional do ramo de games, certamente não tem tanto tempo assim para dedicar.
Eu e Mozart pensamos, então, em criar um remaster ao estilo do Iro mas, pelos mesmos motivos já citados, abandonamos – ao menos por enquanto – a ideia. A partir daí nos voltamos para os Appimages, que já citamos em artigo anterior. Recentemente, vi as mensagens do Probono acerca do empacotamento do AzPainter. E as colocações feitas entre ele e o Symbian9 me fizeram pensar a respeito do assunto.
Em conversa com Azel no início do ano a respeito dos appimages, ela deixou claro que não iria se dedicar ao assunto “empacotamento”: ela continuaria fornecendo dos tarballs para instalação via código fonte e deixaria o empacotamento dos binários para quem quisesse fazê-lo, qualquer que fosse o sistema ou distribuição alvo. Para gerar os appimages, é conveniente que seja gerado através de uma versão antiga da distro alvo, o que, a grosso modo, exigiria um esforço significativo, tendo que testar o appimage gerado em todas as distribuições atuais, a fim de garantir a compatibilidade. E, de fato, Azel não teria tempo disponível para tal empreitada. Devemos lembrar que Azel desenvolve tudo sozinha, não recebendo ajuda de ninguém, por opção própria. Na visão dela, o trabalho de desenvolvimento termina ao liberar os tarballs, sendo que daí por diante o usuário pode fazer uso das quatro liberdades defendidas pela Free Software Foundation, uma vez que os aplicativos AZ são liberados sob a licença GPL3.
Por outro lado, o Probono enfatiza a importância de que cada desenvolvedor assuma o empacotamento de seus aplicativos via appimage, com o intuito de evitar que pessoas mal intencionadas liberem pacotes carregados de malware sob o nome de aplicativos “do bem”, o que certamente mancharia a reputação desses mesmos aplicativos.
Atualmente temos colaboradores de diversas partes do mundo empacotando os aplicativos AZ, ao menos o AzPainter, conforme pode ser visto na nossa lista de links úteis aí do lado. Porém, ainda temos lacunas a serem preenchidas, como pacotes .deb e appimage para o AzDrawing e o AzPainterB – que são aplicativos diferentes, com finalidades diferentes do AzPainter, conforme asseverou a própria Azel – além de pacotes rpm para todos eles e em outros formatos. Ah, para quem perguntou sobre o AUR (Arch Linux), o AzPainter e o AzDrawing estão disponíveis.
Também podemos pedir para os responsáveis pelas nossas distribuições preferidas para incluírem os aplicativos AZ nos repositórios oficiais dessas distros. Eu mesmo, que recentemente migrei para o Deepin, solicitei a inclusão dos três aplicativos no application store da própria distro.
Quanto mais disponíveis em formato binário para as diversas distribuições e sistemas operacionais (MacOS, *BSD… quem sabe um dia no Haiku?), mais e mais usuários terão acesso aos aplicativos AZ e poderão se beneficiar de suas qualidades únicas. Só teremos a ganhar.

Artistas do Mundo AZ

Além do Mozart Couto, João Mausson, Alex Dukal (nos bons tempos do AzPainter2 para Windows) e outros artistas já referidos aqui, existem vários outros artistas de qualidade excepcional que trabalham, primariamente ou não, com os aplicativos Az, especialmente o AzPainter. Muitos deles postam seus trabalhos no DeviantArt, no Pixiv ou outros sites comunitários, já outros possuem sites próprios. O fato é que a comunidade de usuários é grande e se espalha pelo mundo.
Graças ao trabalho do Alex Dukal, o AzPainter e o AzDrawing são bem conhecidos da comunidade de ilustradores hispânicos, tanto na Europa como na América Latina. Um dos grandes usuários do AzDrawing para Windows é o arte-finalista argentino Jorge Copo, dono de um traço marcante e preciso. Suas imagens de Boba Fett, Batman e Wolverine feitos no AzDrawing são verdadeiramente impactantes. Outro bom exemplo vindo da nossa vizinha Argentina é o animador e ilustrador Seian.
No mundo da cor, chama a atenção o trabalho do artista japonês conhecido como 0xconfig. Seus trabalhos de fanart para Tone Sphere/Darksphere são de fazer prender a respiração. Até hoje eu me pergunto se ele conseguiu fazer tudo aquilo mesmo usando apenas o AzPainter/AzPainterB for Linux! Sinal de que eu conheço muito pouco o potencial dos aplicativos de Azel… Além do perfil no DeviantArt, ele possui um site próprio onde é possível ver seus trabalhos e adquirir produtos personalizados – se você morar no Japão.
Vendo os trabalhos de artistas como os citados é que percebemos o poder destes maravilhosos aplicativos. A maioria dos demais artistas que trabalham com os aplicativos Az os utilizam apenas para uma etapa do processo – muitos deles usam o AzDrawing para sketches e/ou arte-finalização, para depois colorirem no Photoshop. Boa parte deles possuem computadores da Apple – penso eu ser um fetiche dos ilustradores de um modo geral.
Com o surgimento dos appimages, penso que podemos ver mais artistas gráficos usando os aplicativos Az sobre Linux. Com uma distribuição da preferência do usuário, bastaria baixar o appimage, torná-lo executável e correr pro abraço. Ou gerar uma cópia do sistema que se está usando, já com todos os aplicativos instalados e configurados, e distribuir para os colegas ilustradores. Assim, poderemos ver mais trabalhos inspiradores, inovadores, ousados, livres… Como deve ser no Mundo AZ.

AzPainter 2.0.3 e AzPainterB 1.0.6

Após o costumeiro hiato mensal para mergulhar no desenvolvimento de seus aplicativos, Azel liberou no último dia 05/03 as novas versões dos AzPainter, sendo que boa parte das modificações foram semelhantes em ambos os aplicativos. Isso sinaliza uma possível junção das duas versões em um futuro breve. Entre as mudanças em relação às versões anteriores, inclusão de ícone do Histórico na barra de ferramentas e do comando “Limpar Histórico” no menu principal; ajustes no suporte a arquivos .PSD e .APD; e, no caso do AzPainter 2.0.3, suporte aos idiomas russo e ucraniano.
É bom lembrar que as diferenças entre os dois aplicativos reside especialmente na capacidade de personalizar imagens de pincéis, presente apenas no AzPainter, e na ferramenta Aquarela, herança do descontinuado AzPainter2 do Windows e exclusivo no AzPainterB.
Por fim, o Mozart Couto fez uns testes com o AzPainter 2.0.3 e compartilhou no YouTube o resultado de suas experiências. Confira você também! O Azpainter 2.0.3 pode ser baixado aqui e o AzPainterB aqui.